Como vemos as sementes? Com olhos de botânico ou olhar de jardineiro?
Como são importantes os olhos de um botânico ao fitar suas sementes! Muito conhecimento é necessário para levar a planta de semente à árvore, flor, fruto... e a novas sementes. Uma boa semente é capaz de germinar e gerar um vegetal frondoso que poderá abrigar em sua sombra toda uma comunidade de outros vegetais.
Mas é o jardineiro, com seu amor pelo ofício, que, sem escolher suas sementes, aceita cada uma delas e cada broto como um desafio, enxerga, em cada muda, a possibilidade de um vegetal único e raro. Éo jardineiro que arregaça as mangas e entra na luta, dia após dia, podando aqui, adubando ali, escorando os mais frágeis, até que se tornem fortes para crescerem sozinhos. É o jardineiro que reconhece, na diferença de cada planta, a beleza de seu jardim. É ele que corta o galho da árvore frondosa, para deixar que o sol ilumine o pequeno e frágil broto que surge de uma semente já quase esquecida. É ele que chega todo dia a seu jardim, sabendo que há sempre novidade, que há sempre algo a aprender, a descobrir, que há sempre a chance de uma surpresa.
Parabéns, professores, por olhar seus alunos com os olhos de um botânico, sem deixar de exercer seu ofício com amor de jardineiro.
Nosso desafio é transformar todas as sementes em vegetais únicos, de belezas múltiplas, de colorido contagiante. Aí, então, professores, todos teremos participado da construção desse jardim.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
OLHOS DE BOTÂNICO, OLHAR DE JARDINEIRO
domingo, 16 de maio de 2010
A LÍNGUA PORTUGUESA E SEUS ENCANTOS
Em 2008, ministrei um curso para professores da Rede de Educação Notre Dame, cujo tema englobava o conhecimento da Língua Portuguesa em suas especificidades e curiosidades.
Deixo, aqui, um link para quem gosta de ter, sempre à mão, um recurso de consulta para o uso correto da Língua e, em seguida, o depoimeto de uma das professoras que participavam do curso.
http://www.portugues.com.br/
Deixo, aqui, um link para quem gosta de ter, sempre à mão, um recurso de consulta para o uso correto da Língua e, em seguida, o depoimeto de uma das professoras que participavam do curso.
http://www.portugues.com.br/
“Fazer o curso ministrado pela supervisora pedagógica Márcia Nogueira sobre Compreensão Leitora nos deu, além da oportunidade de contato com diferentes tipos de texto (regras de jogos, poesias, letras de música, textos técnicos e científicos, informativos entre outros), também a chance de vivenciarmos as aulas sobre as especificidades da língua que permearam o curso de forma bem contextualizada.
Trabalhar com a língua e suas regras, às vezes tão difíceis e cheias de exceções, pareceu mais fácil diante das propostas oferecidas. Partíamos do texto dos alunos. Nada mais lógico! Afinal de contas, é no texto do aluno que devemos fazer as intervenções e correções. Aliás, corrigíamos o correto e aceito e nos divertíamos com nossas próprias falhas. Nossos erros foram o caminho para o crescimento.
Também estivemos atentas a nossas produções escritas como os registros e demais redações propostas, sempre pautadas em temas significativos para o grupo.
No ‘power point’, nos pegávamos lendo trechos escritos por nós e, neles, o grupo atuava empregando regras da língua que, antes, passavam despercebidas. Nesses momentos, era o maior ‘zum,zum, zum’ de opiniões, contradições e consultas aos materiais de apoio. Procurávamos qualquer coisa que nos desse a sensação de estarmos com a razão, certas de estarmos evoluindo no conhecimento da língua.
Lembro-me o quanto comentei com amigos e familiares sobre nossas divertidas e difíceis aulas. Como era gostoso voltar a ser aluna, mesmo que fosse no fim do dia uma vez por semana.
Nossas aulas fizeram com que nos tornássemos mais cuidadosas e deixaram nossos ouvidos e olhos mais atentos. Líamos, relíamos e trocávamos entre os pares.
Em alguns momentos, recebíamos baterias de exercícios para exercitarmos o emprego correto de alguma regra (crase, vírgulas, verbos irregulares, preposições antes de pronomes relativos). Queríamos cúmplices para nossas respostas e, para isso, nos reuníamos em pequenos grupos, num rico exercício de interação. Chegada a hora da correção, vibrávamos diante dos acertos e, muitas vezes incrédulas, usávamos a borracha naquilo que ainda não ficara muito claro.
O bom do curso e principalmente devido ao tema – Compreensão Leitora – passamos a ter mais amor por nossa língua e aprendemos a valorizar suas regras e exceções com um olhar de encantamento.
Aprender outros idiomas é importante e bacana, é claro! Mas a nossa língua é mãe, é pátria e, ainda por cima, está na moda!”
Maria Vitória Corrêa
Trabalhar com a língua e suas regras, às vezes tão difíceis e cheias de exceções, pareceu mais fácil diante das propostas oferecidas. Partíamos do texto dos alunos. Nada mais lógico! Afinal de contas, é no texto do aluno que devemos fazer as intervenções e correções. Aliás, corrigíamos o correto e aceito e nos divertíamos com nossas próprias falhas. Nossos erros foram o caminho para o crescimento.
Também estivemos atentas a nossas produções escritas como os registros e demais redações propostas, sempre pautadas em temas significativos para o grupo.
No ‘power point’, nos pegávamos lendo trechos escritos por nós e, neles, o grupo atuava empregando regras da língua que, antes, passavam despercebidas. Nesses momentos, era o maior ‘zum,zum, zum’ de opiniões, contradições e consultas aos materiais de apoio. Procurávamos qualquer coisa que nos desse a sensação de estarmos com a razão, certas de estarmos evoluindo no conhecimento da língua.
Lembro-me o quanto comentei com amigos e familiares sobre nossas divertidas e difíceis aulas. Como era gostoso voltar a ser aluna, mesmo que fosse no fim do dia uma vez por semana.
Nossas aulas fizeram com que nos tornássemos mais cuidadosas e deixaram nossos ouvidos e olhos mais atentos. Líamos, relíamos e trocávamos entre os pares.
Em alguns momentos, recebíamos baterias de exercícios para exercitarmos o emprego correto de alguma regra (crase, vírgulas, verbos irregulares, preposições antes de pronomes relativos). Queríamos cúmplices para nossas respostas e, para isso, nos reuníamos em pequenos grupos, num rico exercício de interação. Chegada a hora da correção, vibrávamos diante dos acertos e, muitas vezes incrédulas, usávamos a borracha naquilo que ainda não ficara muito claro.
O bom do curso e principalmente devido ao tema – Compreensão Leitora – passamos a ter mais amor por nossa língua e aprendemos a valorizar suas regras e exceções com um olhar de encantamento.
Aprender outros idiomas é importante e bacana, é claro! Mas a nossa língua é mãe, é pátria e, ainda por cima, está na moda!”
Maria Vitória Corrêa
FILME IMPERDÍVEL Taare Zameen Par - Como Estrelas Na Terra
Se você é professor, está a caminho de ser, se já foi ou convive com um desses seres iluminados, não pode deixar de assistir ao filme 'Como estrelas da Terra' de Taare Zameen.
Visite o link:http://cinemaindiano.blogspot.com/2008/06/como-estrelas-na-terra.html
... e emocione-se!
A MARIPOSA E A ESTRELA
Conta a lenda que uma jovem mariposa de corpo frágil e alma sensível voava ao sabor do vento certa tarde, quando viu uma estrela muito brilhante e se apaixonou.
Voltou imediatamente para casa, louca para contar à mãe que o que havia descoberto, mas a mãe lhe disse friamente:
— Que bobagem! As estrelas não foram feitas para que as mariposas possam voar em torno delas. Procure um poste ou um abajur e se apaixone por algo assim; para isso nós fomos criadas.
Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente ignorar o comentário da mãe e permitiu-se ficar de novo alegre com a sua descoberta e pensava:
— Que maravilha poder sonhar!
Na noite seguinte, a estrela continuava no mesmo lugar e ela decidiu que iria subir até o céu, voar em torno daquela luz radiante e demonstrar seu amor.
Foi muito difícil ir além da altura com a qual estava acostumada, mas conseguiu subir alguns metros acima do seu vôo normal.
Entendeu que, se cada dia progredisse um pouquinho, iria terminar chegando à estrela, então armou-se de paciência e começou a tentar vencer a distância que a separava de seu objetivo.
Esperava, com ansiedade, que a noite descesse e, quando via os primeiros raios da estrela, batia ansiosamente suas asas em direção ao firmamento.
Sua mãe ficava cada vez mais furiosa e dizia:
— Estou muito decepcionada com a minha filha !
Todas as suas irmãs e primas já têm lindas queimaduras nas asas, provocadas por lâmpada! Você devia deixar de lado esses sonhos inúteis e arranjar uma meta que possa atingir.
A jovem mariposa, irritada porque ninguém respeitava o que sentia, resolveu sair de casa.
Mas, no fundo, como aliás sempre acontece, ficou marcada pelas palavras da mãe e achou que ela tinha razão.
Por algum tempo, tentou esquecer a estrela, mas seu coração não conseguia e, depois de ver que a vida sem o seu sonho não tinha sentido, resolveu retomar sua caminhada em direção ao céu. Noite após noite, tentava voar o mais alto possível, mas, quando a manhã chegava, estava com o corpo gelado e a alma mergulhada na tristeza.
Lá do alto, podia enxergar as cidades cheias de luzes, onde provavelmente suas primas e irmãs já tinham encontrado um amor, mas, ao ver as montanhas, os oceanos e as nuvens que mudavam de forma a cada minuto, a mariposa começou a amar cada vez mais sua estrela, porque era ela quem a empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.
Muito tempo depois, resolveu voltar a sua casa e soube, pelos vizinhos, que sua mãe, suas irmãs e primas tinham morrido queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas, destruídas por aquilo que julgavam fácil.
A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à sua estrela, viveu muitos anos ainda, descobrindo que, às vezes, os objetivos difíceis e impossíveis trazem muito mais alegrias e benefícios que os fáceis e que estão ao alcance de nossas mãos.
Voltou imediatamente para casa, louca para contar à mãe que o que havia descoberto, mas a mãe lhe disse friamente:
— Que bobagem! As estrelas não foram feitas para que as mariposas possam voar em torno delas. Procure um poste ou um abajur e se apaixone por algo assim; para isso nós fomos criadas.
Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente ignorar o comentário da mãe e permitiu-se ficar de novo alegre com a sua descoberta e pensava:
— Que maravilha poder sonhar!
Na noite seguinte, a estrela continuava no mesmo lugar e ela decidiu que iria subir até o céu, voar em torno daquela luz radiante e demonstrar seu amor.
Foi muito difícil ir além da altura com a qual estava acostumada, mas conseguiu subir alguns metros acima do seu vôo normal.
Entendeu que, se cada dia progredisse um pouquinho, iria terminar chegando à estrela, então armou-se de paciência e começou a tentar vencer a distância que a separava de seu objetivo.
Esperava, com ansiedade, que a noite descesse e, quando via os primeiros raios da estrela, batia ansiosamente suas asas em direção ao firmamento.
Sua mãe ficava cada vez mais furiosa e dizia:
— Estou muito decepcionada com a minha filha !
Todas as suas irmãs e primas já têm lindas queimaduras nas asas, provocadas por lâmpada! Você devia deixar de lado esses sonhos inúteis e arranjar uma meta que possa atingir.
A jovem mariposa, irritada porque ninguém respeitava o que sentia, resolveu sair de casa.
Mas, no fundo, como aliás sempre acontece, ficou marcada pelas palavras da mãe e achou que ela tinha razão.
Por algum tempo, tentou esquecer a estrela, mas seu coração não conseguia e, depois de ver que a vida sem o seu sonho não tinha sentido, resolveu retomar sua caminhada em direção ao céu. Noite após noite, tentava voar o mais alto possível, mas, quando a manhã chegava, estava com o corpo gelado e a alma mergulhada na tristeza.
Lá do alto, podia enxergar as cidades cheias de luzes, onde provavelmente suas primas e irmãs já tinham encontrado um amor, mas, ao ver as montanhas, os oceanos e as nuvens que mudavam de forma a cada minuto, a mariposa começou a amar cada vez mais sua estrela, porque era ela quem a empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.
Muito tempo depois, resolveu voltar a sua casa e soube, pelos vizinhos, que sua mãe, suas irmãs e primas tinham morrido queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas, destruídas por aquilo que julgavam fácil.
A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à sua estrela, viveu muitos anos ainda, descobrindo que, às vezes, os objetivos difíceis e impossíveis trazem muito mais alegrias e benefícios que os fáceis e que estão ao alcance de nossas mãos.
"O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar, e correr o risco de viver seus sonhos".
REGISTRO – UM EXERCÍCIO FUNDAMENTAL PARA A METACOGNIÇÃO
Este texto faz parte de uma publicação - Cadernos de Educação Notre Dame - nº 6 - 2009 -, é o relato teórico de uma experiência realizada por mim em um curso para professores da Rede de Educação Notre Dame em 2008 e vem acompanhado do Registro escrito por uma professora de Educação Infantil.
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Certa vez, um homem, ao caminhar por uma trilha em meio a uma floresta, deparou-se com um rio. O rio era profundo demais para ser atravessado a pé e a correnteza era forte demais para que ele o atravessasse a nado. Próximo ao rio, havia uma pilha de toras de madeira de diferentes formas e espessuras. Aqueles pedaços de madeira e a corda que o homem trazia na mochila possibilitaram a solução do problema. Depois de algumas horas e algumas tentativas frustradas, o homem conseguiu construir uma estratégia que permitiu a travessia segura do rio.
O procedimento adotado por nosso personagem foi um exercício de metacognição. Ele observou a situação, refletiu sobre as possíveis estratégias, levantou diferentes possibilidades de execução das estratégias, avaliou o que não funcionara, revendo cada passo do plano e, enfim, conseguiu alcançar seu objetivo.
Quando retornou de sua caminhada precisou cruzar o rio outra vez e ainda outras tantas vezes quanto foi àquele lugar. Progressivamente, foi dominando sua técnica. Hoje, conhece seu ofício. Quando não está satisfeito com o modo como cruza o rio, para e pensa. Sabe o que deve fazer e como fazê-lo. Os anos deram a ele sobriedade e experiência. E também consciência. Está capacitado para refletir sobre suas decisões. Gera estratégias. Adquire consciência de como pensa e de como atua.
Podemos denominar metacognição o ato de refletir sobre o pensamento de cruzar o rio.
Metacognição é conhecer o que conhecemos, é a capacidade de estabelecer normas a si mesmo, ou seja, de ser autônomo, ter capacidade de se auto-regular. É criar um plano de ação e mantê-lo durante sua execução, é conduzir constantemente o pensamento, é a consciência de si mesmo e, ainda, é a reflexão consciente que permite converter o saber implícito em saber explícito.
Partindo desses pressupostos, o registro configura uma ferramenta fundamental para o processo individual de metacognição, assim como o estudo da metacognição vem corroborar a validade do exercício do registro.
É através do registro que o indivíduo concretiza o que está em seu pensamento. Após a vivência de toda e qualquer experiência de assimilação, quando nos deparamos com um novo objeto do conhecimento, muitos são os sentimentos e os pensamentos que frequentam nossa mente. A linguagem é o instrumentam pelo qual o novo saber se organiza e o registro é a forma como essa linguagem se transforma em saber que pode ser apropriado.
Ao escrevermos sobre uma experiência de construção de um novo conhecimento, organizamos o pensamento em forma de linguagem escrita e é esse processo que nos possibilita nos apropriarmos do novo conhecimento e adotarmos novos esquemas mais complexos para lidar com estes conhecimentos e outros tantos que a ele se relacionam.
Sendo assim, o ato de registrar é uma etapa fundamental do exercício de metacognição. É no momento em que escrevemos sobre o que vivenciamos, relatando as práticas observadas e, principalmente, organizando, na forma escrita, o que foi pensado, as reflexões pessoais e os caminhos de construção do novo conhecimento, que os novos esquemas são internalizados. É neste processo que o indivíduo toma consciência de seu novo saber e torna-se capaz de transformá-lo em saber explícito.
O procedimento adotado por nosso personagem foi um exercício de metacognição. Ele observou a situação, refletiu sobre as possíveis estratégias, levantou diferentes possibilidades de execução das estratégias, avaliou o que não funcionara, revendo cada passo do plano e, enfim, conseguiu alcançar seu objetivo.
Quando retornou de sua caminhada precisou cruzar o rio outra vez e ainda outras tantas vezes quanto foi àquele lugar. Progressivamente, foi dominando sua técnica. Hoje, conhece seu ofício. Quando não está satisfeito com o modo como cruza o rio, para e pensa. Sabe o que deve fazer e como fazê-lo. Os anos deram a ele sobriedade e experiência. E também consciência. Está capacitado para refletir sobre suas decisões. Gera estratégias. Adquire consciência de como pensa e de como atua.
Podemos denominar metacognição o ato de refletir sobre o pensamento de cruzar o rio.
Metacognição é conhecer o que conhecemos, é a capacidade de estabelecer normas a si mesmo, ou seja, de ser autônomo, ter capacidade de se auto-regular. É criar um plano de ação e mantê-lo durante sua execução, é conduzir constantemente o pensamento, é a consciência de si mesmo e, ainda, é a reflexão consciente que permite converter o saber implícito em saber explícito.
Partindo desses pressupostos, o registro configura uma ferramenta fundamental para o processo individual de metacognição, assim como o estudo da metacognição vem corroborar a validade do exercício do registro.
É através do registro que o indivíduo concretiza o que está em seu pensamento. Após a vivência de toda e qualquer experiência de assimilação, quando nos deparamos com um novo objeto do conhecimento, muitos são os sentimentos e os pensamentos que frequentam nossa mente. A linguagem é o instrumentam pelo qual o novo saber se organiza e o registro é a forma como essa linguagem se transforma em saber que pode ser apropriado.
Ao escrevermos sobre uma experiência de construção de um novo conhecimento, organizamos o pensamento em forma de linguagem escrita e é esse processo que nos possibilita nos apropriarmos do novo conhecimento e adotarmos novos esquemas mais complexos para lidar com estes conhecimentos e outros tantos que a ele se relacionam.
Sendo assim, o ato de registrar é uma etapa fundamental do exercício de metacognição. É no momento em que escrevemos sobre o que vivenciamos, relatando as práticas observadas e, principalmente, organizando, na forma escrita, o que foi pensado, as reflexões pessoais e os caminhos de construção do novo conhecimento, que os novos esquemas são internalizados. É neste processo que o indivíduo toma consciência de seu novo saber e torna-se capaz de transformá-lo em saber explícito.
“Medo? Todos nós temos. Ele pode funcionar como um campo minado, acorrentando nossas emoções, nossos desejos, nossos sonhos, ou pode servir de mola que impulsiona, que gera movimento. Movimento que faço agora.
Vejo-me exatamente como Moncho, sentada na carteira, morrendo de medo, usando aqueles óculos velhos e vendo tudo em tamanho maior do que realmente era. Moncho transportou-me a meu primeiro momento na escola. Eu era como um pardal fora do ninho. E quem nunca sentiu-se assim? Tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto?
Nesse meu movimento interno, percebo que olhar para tudo e para os outros de meu ninho é muito fácil.De meu lugar, vejo tudo como quero e da maneira como acredito ser. Difícil mesmo é ter que sair e ver tudo o que há num estranho ninho, terra desconhecida, terra do outro. Nesse lugar, não posso mudar nem trocar nada. É como se as asas da possibilidade fossem cortadas. Para voar no terreno do outro, é preciso permissão e, ao mesmo tempo, permitir-se.
Falando nisso, o quanto será que tenho me permitido? O quanto será que tenho desenrolado minha língua em busca do néctar? O quanto tenho permitido aproximar-me do saber do outro? Será que tenho me permitido observar? Será que tenho encontrado tempo para ouvir a língua das mariposas? Será que, nessa minha jornada, alguma vez, alcancei o cálice do mais doce néctar?
Movimento interno de cada um...
... será que meus alunos têm encontrado em mim a profundidade necessária para descobrir o que é doce?
Minha única certeza é a de que não preciso ir à Austrália para presenciar o desabrochar da mais bela das orquídeas. Posso ser uma, em qualquer lugar, em qualquer tempo. Posso ser uma ponte para que meus alunos atravessem e, assim, depois da sensação do trabalho realizado, desmoronar com prazer.
Entender a língua das mariposas não é fácil. Ser orquídea também não. O que posso fazer então? Posso estar aberta a seduzir tudo o que está a meu redor, até que descubram em mim, sujeito aprendente e ensinante, uma fonte inesgotável de conhecimento e não um pardal perdido no ninho.”
Vejo-me exatamente como Moncho, sentada na carteira, morrendo de medo, usando aqueles óculos velhos e vendo tudo em tamanho maior do que realmente era. Moncho transportou-me a meu primeiro momento na escola. Eu era como um pardal fora do ninho. E quem nunca sentiu-se assim? Tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto?
Nesse meu movimento interno, percebo que olhar para tudo e para os outros de meu ninho é muito fácil.De meu lugar, vejo tudo como quero e da maneira como acredito ser. Difícil mesmo é ter que sair e ver tudo o que há num estranho ninho, terra desconhecida, terra do outro. Nesse lugar, não posso mudar nem trocar nada. É como se as asas da possibilidade fossem cortadas. Para voar no terreno do outro, é preciso permissão e, ao mesmo tempo, permitir-se.
Falando nisso, o quanto será que tenho me permitido? O quanto será que tenho desenrolado minha língua em busca do néctar? O quanto tenho permitido aproximar-me do saber do outro? Será que tenho me permitido observar? Será que tenho encontrado tempo para ouvir a língua das mariposas? Será que, nessa minha jornada, alguma vez, alcancei o cálice do mais doce néctar?
Movimento interno de cada um...
... será que meus alunos têm encontrado em mim a profundidade necessária para descobrir o que é doce?
Minha única certeza é a de que não preciso ir à Austrália para presenciar o desabrochar da mais bela das orquídeas. Posso ser uma, em qualquer lugar, em qualquer tempo. Posso ser uma ponte para que meus alunos atravessem e, assim, depois da sensação do trabalho realizado, desmoronar com prazer.
Entender a língua das mariposas não é fácil. Ser orquídea também não. O que posso fazer então? Posso estar aberta a seduzir tudo o que está a meu redor, até que descubram em mim, sujeito aprendente e ensinante, uma fonte inesgotável de conhecimento e não um pardal perdido no ninho.”
Vanda Alves S. Ferreira
Chimamanda Adichie: o perigo de uma única história | Video on TED.com
Este link proporcionará a você, leitor, a possibilidade de assitir a uma palestra de aproximadamente 20 minutos de duração, com uma escritora nigeriana que usa o recurso da narrativa pessoal para mostrar, com clareza e emoção, a necessidade de aprendermos a enxergar as histórias sob a ótica de suas várias personagens.
Um lindo relato!
Chimamanda Adichie: o perigo de uma única história Video on TED.com
Um lindo relato!
Chimamanda Adichie: o perigo de uma única história Video on TED.com
CAMINHOS E PASSAGENS
“tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra.”
Carlos Drummond de Andrade
Quando, no percurso profissional, nos dedicamos a um projeto grandioso, muitas são as pedras que se apresentam ao longo do processo.
Não só profissionalmente, mas também pessoalmente, podemos escolher desviar das pedras, dar a volta nelas, muitas vezes, aumentar o percurso para não precisar transpô-las. É certo que as pedras ficam para trás e nem nos lembramos mais delas, não significaram nada, saímos do lugar onde estávamos e continuamos no mesmo lugar. Apenas passamos pelas pedras, cumprimos tudo aquilo que esperavam de nós.
Porém, há a possibilidade de escolhermos aproveitar a oportunidade do obstáculo para aprender mais, crescer, encontrar soluções, idealizar e experimentar estratégias, correr riscos, encurtar percursos tornando-os mais ousados. Escolhendo transpor as pedras, saímos do lugar onde estávamos e chegamos a um novo lugar, somos mais capazes do que fomos ontem, sabemos mais do que sabíamos antes, experimentamos o sabor do caminho, não estivemos ali só de passagem, cumprimos aquilo que nós mesmos esperávamos, não apenas a expectativa do outro, mas a nossa.
É no caminho que estão as pedras, não nas passagens. Só fazemos de nossa ação um caminho, quando as pedras nos servem de degraus e não de desvios.
Quero hoje agradecer a todos que, como equipe, encaram,, diariamente, as pedras, crescem com as dificuldades e coroam com sucesso nosso projeto de Educação.
Para todas as professoras que caminham comigo no Colégio Notre Dame de Ipanema e no Instituto Social São José de Petrópolis, o meu agradecimento pela parceria!
E...
...se no calor do trabalho, do medo da falta de tempo, da angústia da falta de auxílio, da dúvida, das cobranças, deixamos alguma pedrinha para trás, demos a volta e não conseguimos força, naquele momento, para enfrentar tal desafio, a hora é agora. Não deixemos de aproveitar a calma da sensação do dever cumprido para voltar, avaliar, rever e avançar, na certeza de que nesse espaço, não estamos só de passagem, vamos deixar aqui todas as nossas marcas, vamos realmente caminhar. Afinal, era no meio do caminho que estava a pedra.
E...
...se no calor do trabalho, do medo da falta de tempo, da angústia da falta de auxílio, da dúvida, das cobranças, deixamos alguma pedrinha para trás, demos a volta e não conseguimos força, naquele momento, para enfrentar tal desafio, a hora é agora. Não deixemos de aproveitar a calma da sensação do dever cumprido para voltar, avaliar, rever e avançar, na certeza de que nesse espaço, não estamos só de passagem, vamos deixar aqui todas as nossas marcas, vamos realmente caminhar. Afinal, era no meio do caminho que estava a pedra.
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